Radio Jornalismo + Radio Documentário

Radio jornalismo e radio documentário, a principio, caminham lado a lado.

Isso porque ambos partem de um fato ou acontecimento para se desenvolverem em um tema ou assunto específico.

O radio jornalismo que a gente mais conhece é ligado a notícias e é elaborado a partir da combinação simples e rápida entre “texto lido em estúdio + sonoras”.

Nossas referências mais instantâneas são os clássicos “Repórter Esso” e “A Voz do Brasil”.

É claro que hoje em dia temos ótimos exemplos que vão além desses formatos tradicionais, resultando em peças mais ricas e cheias de detalhes, tanto do ponto de vista de conteúdo como de sonorização.

É o caso da peça sonora produzida a partir de reportagem feita pela nossa querida e talentosa Claudia Rocha para o portal PONTE Jornalismo – e que inclusive acabou de ganhar o prêmio Vladimir Herzog.

Assim como o radio jornalismo, o radio documentário também parte de fatos – a diferença é que tem autonomia em relação a eles.

No radio doc, há uma ligação forte com o imaginário que você, como criador da peça sonora, pode criar. Você pode literalmente mergulhar em um novo mundo a partir de um fato que a princípio não tem ligação “natural” com o fato original.

Um bom exemplo dessa “criação de novos mundos a partir de fatos reais” é a peça N.N. (Ningún nombre), produzida pela Radio Ambulante (sugiro ouvir pelo menos até 5 min).

A Rádio Ambulante é um projeto jornalístico latino-americano com raízes nos EUA. Eles se inspiraram nas rádios públicas norte-americanas e produzem histórias em espanhol com poucos recursos mas muita criatividade e eficiência, buscando mostrar lados desconhecidos da cultura latina que sejam complexas, reais e que tenham graça e que rompam com os estereótipos.

Outro formato que tem feito muito sucesso no mundo é o das séries. Vamos ouvir agora parte de uma peça chamada “Jurado 13”, produzida pela Radioteca, no Equador, que é um portal de troca de produções radiofônicas não só da América Latina mas também de outras regiões do mundo.

Pra finalizar, ouviremos a abertura de um episódio da série “This American Life”, programa semanal transmitido pela rádio pública norte-americana para cerca de 500 estações de rádio pelo país e que conta com mais de 2 milhões de ouvintes.

O episódio que vamos ouvir se chama “A bondade dos desconhecidos”.

Quero chamar atenção pra última frase antes da introdução da apresentadora, Ira Glass – essa frase, combinada com a primeira fala de Brett no audio é uma espécie de pergunta-resposta. Os ouvintes tem a sensação de que Ira e Brett estão contando a história juntos. É isso mesmo: só que a Ira escreveu o texto a partir do áudio do Brett justamente para o ouvinte ter essa sensação. Ela também escreveu o início de uma forma que enfatizava e ressaltava a tensão da cena: o que é que esse cara estava dizendo às pessoas?

Dica rápida sobre como escolher os áudios: é muito mais fácil escrever para um bom áudio que para um ruim. Escolha pedaços em que as pessoas sejam expressivas, digam algo surpreendente, gracioso ou estranho.

Evite áudios de entrevistados com estatísticas ou explicações longas…

O ideal é que você insira essas informações e mantenha o áudio dinâmico e emocionante.

Pronto! Mais uma ferramenta pra vocês mergulharem em seus TCCS 🙂

 

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